26 junho 2006

ORAÇÃO DA SERENIDADE

A oração abaixo, tirada do roteiro dos “Doze Passos dos Alcoólicos Anônimos”, pode muito bem ser utilizada por todos aqueles que constatam que num canto ou outro da vida, precisam de uma reconstrução ou de recuperação. Em certo sentido, todos somos pessoas em recuperação!

“Deus! daí-me serenidade...
para aceitar as coisas que eu não posso modificar...
coragem para modificar as que eu posso...
e sabedoria para distinguir uma das outras.”


Elevar a Deus esta prece, significa que eu olhei com sinceridade para dentro de mim e dei conta de que numa certa medida, preciso recuperar algumas coisas que perdi no transcurso da vida. A serenidade se instala quando posso olhar para o meu passado sem me recuar dele. Eu o reconheço e sou consciente de que alguma coisa lá se danificou, rompeu e tornei-me impotente. Quando posso olhar para o futuro sem a preocupação do que lá me espera, vivendo um dia de cada vez, porque agora eu entendo melhor o que Cristo disse que “basta cada dia o seu próprio mal”.

Aceitar as coisas que não posso modificar, implica não me agarrar àquilo que já passou, que já não existe. É enterrar aquilo que já morreu. É deixar de tentar controlar o outro ou as circunstâncias para o meu bel prazer. Deixar de chorar o “leite derramado” pode implicar coisas diferentes para cada um. Talvez o status que já não tenho, uma relação que acabou; mas omo afirmou o apóstolo Paulo: “esquecendo-me das coisas que para trás ficam, avanço....”

Coragem para modificar o que posso é assumir a responsabilidade do meu espaço, dos meus limites no mundo, evitando a postura de vítima ou do “destino”. É acreditar que eu colho o que eu plantei e portanto, procurarei semear abundantemente outras coisas na expectativa de que vou colher o que plantei.

E finalmente, sabedoria para distinguir entre o momento da rendição e da luta. Discernimento daquilo que de fato não vale mais a pena lutar e a garra para buscar o que, nesta nova fase da vida, eu aprendi que vale a pena procurar: A serenidade!

Quem se isola busca interesses egoistas


... e se rebela contra a sensatez! Esta frase é do sábio Salomão. E como ele tem razão no que disse!

É verdade que a sociedade cobra muito! Cobra se a gente se veste assim ou assado, se transa ou se não transa, com quem anda, etc... e de uma certa forma, se não tomarmos cuidado, seremos exatamente o que as pessoas gostaríam que fossemos. É preciso equilíbrio e muito critério. Viver em sociedade, desfrutar dela, mas não deixar que esta dite os meus padrões de comportamento.

Em contrapartida, a pessoa que se isola do mundo, se isola da comunidade, das pessoas, acreditando que cada um tem seus próprios "probremas", acaba por sua vez, tornando-se egoista, insensato e anti-social. É lícito e de direito, buscar os próprios interesses, ditar a própria vida; mas a questão está quando saimos de um polo e extrapolamos para o outro extremo.

Viver em comunidade é lidar também com os problemas dos outros. Posso dizer que não tenho nada a ver com as crianças em situação de rua, por exemplo. No entanto, quando estou de carro num farol, me importanto ou não com elas, sofro as consequencias destas crianças estarem na rua. Elas simplesmente aparecem ao lado do carro dizendo "ou me dá dez reais ou risco o seu carro". E dai? realmente não é problema meu?

Por estas e outras, acho que cada um de nós tem o nosso momento de isolamento de tudo e de todos pra buscar o nosso "centro", o nosso "eixo". Buscar um encontro com a gente mesmo, mas depois, é preciso sair de nós mesmos e ir de encontro ao outro. O encontro com o outro poderá vir não exatamente como gostariamos que ele viesse. Às vezes o outro chega estrupiado, reclamão, resmunguento. Às vezes, o outro chega companheiro e amigo, mas este é o preço de se viver em comunidade. Viver em comunidade é assim mesmo, às vezes, preciso viver com a "sujeira" não apenas minha mas do outro também. É nestes encontros que eu cresço, que eu me fortaleço, na medida que o outro me questiona, me desafia, me confronta.

10 junho 2006

Para não ficares saudosista

Ser irmã
Não significa ser amiga
Ser amiga não significa ser irmã
Então ganhamos porque
Somos as duas coisas
:)

06 junho 2006

A Gente não Abandona Aquilo Que Está Ruim!

Este é o legado que recebi de meu pai. Não foi uma lição verbal, moral, não veio de maneira formal, ele simplesmente me ensinou isto com a vida dele e agora me dou conta, tomo consciencia.
Lembro-me quando comprei um apartamento num lugar muito ruim. Eu queria desistir do apartamento. Ele amorosamente me fez visualizar o passar do tempo: "Pense que daqui há 20 anos isto aqui vai estar tudo mudado. Não desista filha!". Numa outra ocasião quando eu queria abandonar o ministério. Foi uma época muito difícil pra mim. Eu não tinha nenhuma perspectiva de melhoras e durante um ano, meu pai me incentivou a continuar no ministério mesmo quando as coisas "pareciam" infrutíferas. Ao ser acompanhante dele no hospital do câncer, eu abri muito meus ouvidos para ouví-lo falar. Falar de seus projetos, de suas frustrações e de seus sonhos. É impressionante ver como ele tem sonhos e planos para o futuro. Impressiona-me a forma como ele tem levado a sério o ministério. Segundo ele, porque não apareciam os frutos na congregação que ele lidera, os líderes logo pensavam em fechar o trabalho. Ele por sua vez sempre dizia: "Se eu vou ficar apenas quando as coisas estão boas que nível de compromisso preciso ter? Nenhum. Vou continuar lá, mesmo quando as coisas estão ruim".
Sem pretenção consciente, sem grandes sermoões, meu pai deixa-me um legado: Não abandonar as coisas só porque elas ficaram ruins. Não abandonar as pessoas só porque elas não estão bem, não abandonar os projetos só porque encontro dificuldades.
Acredito que meu pai ainda vai viver muito, mas deixo aqui registrado o legado que recebi dele: A gente não abandona aquilo que está ruim!

05 junho 2006


À todos aqueles que direta e indiretamente estão se mostrando tão solícitos neste momento de dor ao enfrentarmos a doença do meu pai. Pessoas queridas que na agitação do dia-a-dia aparecem com um pequeno gesto de amor, com uma palavra de conforto, com uma oração, com mensagens no celular, e-mails; enfim muitas pessoas queridas. Sou grata por meu pequeno grupo que tem me acompanhado, pela igreja e por meus pastores. Em especial quero mencionar Tereza que tem sido um ouvido tão atento às minhas dores, oferecendo-me um cafezinho de quando-em-quando, apenas para me fazer falar. À Cida que tem dado suporte à toda família ensinando-nos como lidar com o paciente, ou seja, sendo pacientes.... À Mada e Fafá que embora não sendo amigas de meu pai, apareceram no hospital pra fazer-lhe uma visita. Ao Miguel que constantemente me assegura que não estou só. Enfim, obrigada a todos aqueles que mostraram a cara num momento tão delicado em minha vida. Estes momentos me fazem valorizar o que eu tenho de mais precioso: Pessoas! Sou eternamente grata a todos vocês!