22 agosto 2008

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

“A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que,
esquivando-nos do sofrimento,
perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional.”

06 agosto 2008

MEU PAIZINHO


Meu paizinho querido está no hospital do câncer. Os estudos revelam que apenas 2% das pessoas que possuem Linfoma desenvolvem câncer no estomago. Esse foi meu pai!

Entrar naquele quarto e ver o seu corpo agora tão pequeno, jogadinho numa cama, gera em mim um turbilhão de emoções. Ontem foi precioso ouvi-lo falar de minha infância a uma amiga; coisas desconhecidas para mim. Aos 83 anos, vejo-o tão cheio de projetos e sonhos. Acho que é isso o que o mantém de pé. Cada vez que saio do hospital resgato um pouco de mim!

Uma amiga querida ao falar de seu pai, coloca em versos o que sinto e que não sei dizer. Irei transcrever os seus versos, tirados do livro "Um piscar do Infinito", página 43, Maria do Céu Formiga Oliveira:


Passei a chave na porta

e deitei meu rosto

molhado de medo

no peito do meu pai.

Suas mãos tocadas pelo tempo

tocaram meus pensamentos.

Com ele minha meninice nunca é ameaçada.

Por isso cometo versos

e uso lancheira,

para guardar acolhimento e acalanto

entre sonhos e segredos

e deixar no descanso

estes encontros de amor

só revelados

a quem aprendeu a chorar

independente da chuva