22 dezembro 2008

Meu Deus, se me olhares, verás apenas
Injustiças cometidas e recebidas
Se me pesares na balança como sobreviverei?
Estou à sua mercê
Reconheço minhas impossibilidades
Impotencias...
Conduza-me na justiça e no Seu temor
Ouve Senhor a minha voz súplice
Restaura o meu coração quebrado
Diante de ti coloco a minha vida
Inclina os teus ouvidos Senhor e
Atende-me por tua misericordia

Seja sobre mim também a Sua graça
Envolva-me em teus braços de amor
Não me deixe esmorecer
Honrar-te é o que eu mais quero
O que virá amanhã?
Rendo a ti!

19 dezembro 2008

Oração sussurrada

Fale baixinho; DEUS
Quando eu estiver no leito acamada
Renove minha mente leve-me bem longe
A cada uniforme branco eu veja seus anjos
Nos procedimentos invasivos eu sinta o seu toque
Quando sentir dores aumente minha fé
Ao ser removida leve-me nas asas dos anjos
Ao desengano conheça os teus mistérios
Se em sono profundo esteja entre os arcanjos
E no sono profundo o meu corpo largado
Receba os toques dos anjos de branco
Que no último suspiro "Eu caia em seus braços"
Postado por Elda de Oliveira

16 dezembro 2008

Agradecimentos

Não posso deixar de expressar meus agradecimentos ao Hospital AC Camargo pelo cuidado especial que oferece aos usuários de seu serviço. Um hospital acolhedor; onde a humanização faz parte do cuidado. Agradecimento especial ao Dr. Edilson Diogenes Pinheiro e Dr. Tadeu Paiva que cumpriram com suas palavras quando afirmaram: "Cuidaremos da pessoa e não da patologia”.

Obrigado a Cruzada Estudantil e Profissional para Cristo por compreender as várias ausências da Ieda no ministério; como também pela presença constante de alguns de seus representantes na visita ao meu pai; no auxilio ao transporte; na doação de sangue e plaquetas; e pela presença no Getsemani.

Agradecemos a Igreja Batista do Povo pela presença em massa “posso assim dizer” no hemocentro quando meu pai foi procurado e informado que mais de 15 pessoas haviam doado sangue em seu nome. Não temos como retribuir a cada uma dessas pessoas; mas aqui deixo o agradecimento em nome de meu pai - Arthur José de Oliveira.

Muitos ofereceram perder um dia de sono e permanecer à noite no hospital quando algumas vezes foi necessária a internação. Meu reconhecimento especial ao Miguel Adailton por sua noite ao hospital; pelo tempo oferecido a nós. A Ilda por tomar para ela as internações e permanecer por vinte e oito dias consecutivos no hospital; se fazendo conhecida por todos.

Agradeço á todos que não estão aqui citados nem mesmo suas organizações, mas que também contribuíram conosco. Uns oferecendo apoio; outros ficando ao lado para tomar um cafezinho no momento de aguardar os resultados de exames; outros nos ouvindo.

Meu pai partiu. Deixou a terra. Estava pronto. Escolheu onde seria enterrado. Fez algumas doações. Pediu perdão aqueles que poderia ter magoado. Perdoou a outros. Aguardou sua partida. No momento final estava com ele. Segurava-o em suas mãos. Foi parando; parando; como se estivesse em uma estrada onde a velocidade diminui gradativamente. Parou. Está no mistério.

"Nem todos têm a mesma oportunidade que teve meu pai. Então; todos os dias deverão ser o final. Afinal, não sabemos qual será nosso último dia.”

Postado por Elda de Oliveira

03 dezembro 2008

A VIDA ESTÁ ALÉM DO CORPO

Deitado, apenas ossos, pele, olho fundo, olhar distante, voz trêmula, respiração lenta, hálito químico, pálido, sem forças, à merce dos outros.

O que estará pensando? Apenas meneia a cabeça de quando em quando, pra lá e pra cá, como que inconformado com este corpo que não reage. Será que pensa nos bons momentos?

Gerou filhos, criou, educou, incentivou, produziu. Reproduziu-se em 8 filhos: uma missionária, duas enfermeiras, tres comerciantes, duas mães de família, nove netos e dois bisnetos. Será que pensa nos filhos da fé que gerou? gente que ajudou a dar motivos para viver?

Suas mãos agora trêmulas, já foram firmes, construindo edificios monumentais, incluindo a casa em que vive com sua mulher. Mãos que além de construtor esculpiu pequenas peças em madeira, como barcos, porta-jóias, porta-trecos, com a precisão de um joalheiro. Essas mesmas mãos serviram também para reger a casa com 8 filhos pequenos que precisavam ser conduzidos à escola para aprender a ser gente, como dizia ele outrora. Esses dedos já tocaram muito violão, fazendo solo de musicas e hinos de sua época, desafiando outros a tentarem acompanhá-lo com precisão. Gianini, o violão, foi algo caro que ele empenhou-se muito para adquiri-lo.

Suas pernas agora cansadas e trêmulas, já andaram kilometros e kilometros visitando gente, levando vida e esperança a tantos cansados de viver. Seus pés agora secos, já foram ágeis pés que correram anunciando as Boas Novas do Evangelho da Paz.

Sua voz antes firme e autoritária, que me ensinava a cantar e a recitar agora trêmula, exigindo que o ouvinte se aproxime bastante para poder ouvi-lo.

Olhando esse corpo agora cansado, eu percebo que seu corpo não conseguiu acompanhar tanta vitalidade. Ele é mais do que esse corpo fragilizado. É preciso olhar bem dentro de seus olhos para ver que ele, meu pai, está ali, em algum lugar dentro desse corpo, ânsioso pela vida, ávido para melhorar e continuar. Agora, dependendo das mãos de outros para sustentá-lo, para levá-lo pra lá e pra cá em médicos, exames, banho, comida e remédio.

Que legado ele deixa? Muitos por sinal, mas acima de tudo, que é preciso perseverar e não desistir, mesmo quando as coisas não saem como planejadas. É preciso tentar, tentar e tentar até que o trabalho final seja aceitável.

Ensinou-nos que é preciso ser previdente, mesmo que no presente com privações, poupemos algo para o futuro. Assim foi sua vida! Deixou sua terra natal aos 14 anos para vir a São Paulo se aventurar para uma vida melhor. De garçom a construtor, comprou um terreno, arquitetou uma casa e com as próprias mãos a edificou, grande o suficiente para que uma parte dela pudesse alugar para ter uma renda. "É para minha velhice" dizia ele.

Eu o admiro e sem senhuma pretensão de enterrá-lo vivo, eu simplesmente homenageio esse homem que enfrentou e enfrenta todas as situações da vida sem nunca desistir. Eu o admiro e louvo a Deus pelo privilégio de tê-lo como meu PAI.